O segredo

Vou contar-vos um segredo
mas não podem contar a ninguém
é sobre três sentimentos
que toda a gente tem.

Vou começar
pela amizade
ela é tão bela
quanto a verdade.

Depois vem o amor
que belo este sentimento!
É o que se sente cá dentro
em cada bom momento.

Mas o ódio
já não é tão bom
porque quem sente ódio
anda sempre só.

Mas o maior dos sentimentos
é saber perdoar
mesmo a quem nos magoa
devemos tentar ajudar.

Gostaram do poema?
Agora vão poder refletir.
Vou fazer-vos uma pergunta:
qual é o sentimento que estão agora a sentir?

Mariana Cruz, 6º


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O preto

O preto sou eu.
Encontro-me no escuro,
nos mantos do plebeu.
Nas sombras do muro,
lá estou eu.

Nos funerais
estou muito acentuado.
Se alguém de preto, não comparecer
até fico pasmado!
De todas as maneiras o preto não é macabro.

A dor e o desespero,
sou eu que os represento.
Comigo em plano de fundo,
é melhor ficares atento!

O preto é o preto,
não há mais nada a dizer.
Só sei que sem mim,
não conseguirias viver.

Ana Carolina Cunha, 6º


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A cigarra e a Formiga

Era uma vez, numa pequenina casa, uma cigarra que, com cerca de seis meses de idade, vivia a vida a cantar e a dançar. Enquanto isso, um outro inseto, uma formiga, trabalhava dia e noite a encher a sua grande dispensa com pequenos animais que caçava e também plantas.
Chegou o Outono, a temperatura esfriava e as folhas amarelas caíam das árvores. Cigarra continuava a cantar e a dançar e Formiga cada vez vais a avisava de que o Inverno vinha aí e ela não teria nada para comer. Havia dias em que a cigarra chegava a chamar-lhe burra por ela estar sempre a trabalhar, mas, mesmo assim, ela continuava a fazê-lo. Já tinha dois anos de idade e já sabia que, no Inverno, não se conseguia apanha nem caçar nada para comer.
Os dias eram cada vez mais frios e o Inverno já estava a chegar. Formiga já não trabalhava, mas passava os dias a descansar na sua casa, enquanto que Cigarra passava os dias a sentir o gelo na sua carapaça e a pedir comida nas ruas. Já tinha gastado todo o dinheiro e comida. Não tinha casa, pois vendera-a para poder comer. Foi então que lhe surgiu a ideia de ir pedir comida a Formiga, em troca de trabalhar para ela. A formiga, ao vê-la tão magra, não conseguiu recusar. A cigarra e a formiga viviam agora as duas juntas. Comiam e dormiam sem nunca saírem de casa.
Já estava a meio do Inverno quando a cigarra foi à dispensa e viu que a comida já era pouca. Iriam provavelmente ter de passar fome, pensou ela. Foi então que, durante a noite, a cigarra pôs toda a comida num saco e se foi embora. Quando a formiga acordou, viu que já não havia comida e a cigarra tinha desaparecido. Chorou e amaldiçoou a cigarra e a sua própria pouca inteligência.
Acabado o Inverno, a formiga tinha morrido de fome e à cigarra encontraram-na congelada com uma grande quantidade de comida num saco. Os outros insetos nunca desvendaram este mistério.

Tiago Farinha (9º ano)


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Primeira Grande Guerra

A 1ª Guerra Mundial 
não foi muito normal
tantos mortos, tantos feridos
foi pena para entes queridos.

Uma data de alianças
para só algumas esperanças
matar e sobreviver
era o que interessava a valer.

Rússia, França e Inglaterra
lutaram nesta grande guerra.
Do lado dos aliados
foram todos condecorados.

Alemanha e Austro-Hungria
sofreram noite e dia.
Depois desta guerra acabar
ia dar muito que falar.

Na guerra de trincheiras,
havia muitas ratoeiras,
homens aos molhos
e uma praga de piolhos.

Lançavam bombas e gás mostarda
disparavam com a espingarda.
Homens mortos na lama,
aquilo é que era um drama!

Quando a guerra acabou,
a Alemanha tombou.
Vitória para os aliados
que não foram condenados.

João Oliveira (9º ano)


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CRíTICA: Representação de AUTO DA BARCA DO INFERNO

A obra de teatro Auto da Barca do Inferno  é uma complexa alegoria dramática de Gil Vicente, representada, pela primeira vez, em 1517.  É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas, sendo que a segunda e a terceira são, respetivamente, o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória.

Nesta obra, várias personagens, de diferentes classes sociais, depois de falecerem, vão ter a um cais, que funciona como purgatório, onde existem duas Barcas. Chegadas a este local, as personagens são julgadas pelo diabo e algumas pelo anjo. Estes juízes, posteriormente, decidem se elas devem embarcar na Barca da Glória ou na Barca do Inferno, dependendo das suas ações.

A obra tem como objetivo moralizar a sociedade da época, assim como também tentar mudar os seus vícios.

Na representação a que assistimos, na passada quarta-feira, houve muitos aspetos que me chamaram a atenção. Em primeiro lugar, na minha opinião, foi uma excelente ideia o facto de terem feito uma especie de “introdução” antes de começarem a obra. Desta forma, relembraram aos espetadores quem foi Gil Vicente, assim como organizaram um breve dicionário teatral, onde destacaram os diversos elementos indispensáveis para a representação de um texto dramático. O mais interessante neste ponto foi que conseguiram apresentar-nos “teoria” de uma forma cómica (própria das obras de Gil Vicente), de maneira a captar a atenção do público.

No início, os atores deram a entender que aquela obra estava a ser representada como se estivéssemos no ano 1517 ( devido à grande agitação, aos conselhos que Gil Vicente ía dando aos atores que iriam representar a sua obra, entre outros) e que, portanto, nós seríamos os nobres que estaríamos na corte. Isso fez com que os espetadores entrassem mais dentro da obra, o que também foi um aspeto positivo.

A caracterização das personagens estava bem conseguida, principalmente a de Gil Vicente, que parecia uma estátua. Tiveram  a idea de colocar o anjo a deslocar-se sobre patins, o que realçou a leveza e a simplicidade próprias da personagem. Outra das personagens mais bem caracterizadas foi Joane “ O Parvo”, porque o vestuário “saloio”, a sua forma de comportar-se, de caminhar e até de falar conseguiram transmitir-nos a ideia de que Joane era uma pessoa humilde, do povo, inculta e sem maneiras.

Em relação à mudança de cenários, os atores foram capazes de trabalhar com dinamismo e rapidez, não perdendo muito tempo. No entanto, o rio e as Barcas poderiam estar mais bem caracterizados, apesar de este tipo de cenário fazer com que os materiais fossem mais polivalentes, o que facilitou a interpretação.

Penso que todos os atores conseguiram dar ênfase, nas falas e na presença em palco, própria de cada personagem. Conseguiram representar a peça com muito humor, de certa forma aumentando os cómicos de situação e de caráter. Certos vocábulos da obra original foram simplificados para melhor compreensão do público juvenil, como foi o caso da palavra “giricocins” que foi simplificada para “asnos”.

Por estas razões, recomendaria esta peça de teatro a qualquer aluno do nono ano porque, depois de a ver, ficamos a entender melhor o que Gil Vicente realmente quis transmitir com a peça. E, se pensarmos bem, a crítica social expressa no Auto da Barca do Inferno mantém-se atual.

Maria Inês Silva, 9º ano


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SENTIMENTO E FERIMENTO

Se uma palavra descreve um sentimento,
quantas palavras descrevem um ferimento?

Se pensarmos bem é quase
a mesma coisa,

Um sentimento: a paixão,
Um ferimento que pode vir do coração.

O sentimento dois estados de alma,
é como uma canção do Jorge Palma.

Pode-se interpretar uma canção com o coração,
ou apenas ouvi-la, com o sentido da audição.

O ferimento causa um derradeiro sofrimento,
pode-se perder o sentido de viver,
e cair na tentação de morrer.

Ou deixarmo-nos ir pela emoção,
e dizer que não passa de uma má situação.

Agora digam-me vocês
Lisboetas coscuvilheiros,
qual a diferença entre o
sentimento e o ferimento.

Gonçalo Lopes


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Uma lágrima, uma pessoa

Uma lágrima chora,
chora por dentro e por fora.

Fizeram-lhe mal, algo aconteceu,
caiu de uma cara, mais uma se desvaneceu.

Vem outra lágrima, alegre e sorridente,
esta tem futuro, um caminho pela frente.

Mais duas ou três,
mas lá caiem elas, de novo, outra vez.

Um bocadinho mais acima
está uma pessoa,
sem alegria,
sem coragem de leoa.

Na cara da pessoa morreu a felicidade,
Triste e só
Sem cumplicidade.

Mas um sorriso apareceu
logo  de seguida,
fez-se uma mulher
de cabeça erguida.

Gonçalo Lopes


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Acrósticos


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A cidade

Então lá estava, numa gôndola, a passear por um canal numa cidade distante. Numa margem, via o lado urbano, e na outra o lado natural. À medida que avançava, via o lado urbano, mais medieval. Parecia uma viagem no tempo, ou se calhar, uma ida ao centro histórico. Tudo parecia um sonho. Do outro, via-se uma Natureza cada vez mais rica em espécies, porque o ser humano ainda não a tinha explorado. Era magnífico. Estava à procura de um abrigo, porque a linda noite invernosa já estava cerrada – as águas do rio estavam calmas, límpidas e refletiam o luar mais lindo que vira. Sem ninguém à vista senão três pescadores que pescavam o seu peixe, de resto a noite estava totalmente silenciosa. Ouviam-se as remadas do gondoleiro.

Depois de ter visto a maior parte da cidade, fui para um restaurante, na parte mais recente da cidade. O gondoleiro levou-me a um pequeno canal, onde havia uma janela, com uma pessoa lá postada. Essa pessoa, que tinha uma espécie de uniforme tricolor, perguntou-me o que eu queria e eu respondi-lhe que queria uma sopa. Passados uns instantes, estava a sopa pronta, e, eu, admirado com tal velocidade de cozedura, experimentei. Estava intragável. Os legumes não pareciam estar frescos, quer dizer, se aquilo era feito mesmo de legumes, e depois parecia que a sopa tinha realmente sido feita à pressa. Paguei ao empregado, mas nada de gorjeta.

Seguindo na direção da parte um pouco mais antiga, em cerca de três séculos, fui ter a uma esplanada, à procura de uma outra sopa, que estivesse melhor. Veio então um empregado muito bem vestido, com um colete preto, camisa branca e calças pretas, com uma toalha no braço. Perguntou-me, muito delicadamente, o que desejava. Pedi-lhe uma sopa. Demorando bastante tempo, chegou a sopa. Era uma sopa que nem chegava a metade do prato. Experimentei e até estava boa, pena que se tenha esgotado rapidamente, sem me ter satisfeito o apetite nem aquecido o estômago. Paguei ao elegante empregado uma sopa que, quando me deparei com a factura,… Nada de gorjeta, novamente.

Viajando mais um pouco, diria que tinha recuado mais uns quatro séculos. O gondoleiro levou-me a uma casa humilde feita de madeira, que em nada se parecia com um restaurante. Disse-me que esta família era de confiança e que, tinham um dom para a culinária. Confiando nas suas palavras, fui para dentro da casa. Todos os membros daquela família estranharam como uma pessoa entrara por ali dentro. Disse que vinha em paz, como um turista à cidade. Eles, porém, receosos da minha presença, ofereceram-me uma sopa. Surpreendido por tal atitude porque ainda não tinha pedido nada, experimentei-a. Era uma sopa claramente fresca, quente, em quantidades aceitáveis. Deliciei-me, finalmente com uma obra-prima. Estava maravilhosa. Agradeci à família, dei-lhes dinheiro, e eles despediram-se de mim, sorrindo.

Com o meu apetite satisfeito, voltei para a gôndola, e procurei um hotel, voltando à parte mais nova da cidade. Encontrei, aluguei um quarto e fui dormir.

Quando acordei, estava em casa. Estranhando, tal acontecimento perdurou na minha cabeça, em busca de uma explicação, durante meses. Depois, foi esquecido. Mas uma coisa é certa: consegui concluir que as melhores sopas se fazem nas mais velhas panelas.

Pedro Jorge


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O QUE É O AMOR?

Será uma qualidade ou defeito,
Diz-me tu de que ele é feito.

Será coragem ou fraqueza,
Será alegria ou tristeza?

Será uma ambição, desejo, ou apenas uma ilusão.
Será uma certeza, incerteza, ou apenas imperfeição.

O Amor é belo,
faz um homem perfeito.
Mas continua esta incerteza,
o que é esta beleza?

É apenas um capricho,
ou um dever
uma ambição?
Que fazer?

O Amor representa-se com um coração,
mas é mais um sentimento p’ra se juntar à confusão.

Diz-me tu, minha donzela,
porque eu não sei o que fazer,
será facultativo ou um dever?

Gonçalo Lopes


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